Downton Abbey: a nobreza a um clique

A família Crawley e os empregados (Foto: Divulgação/ITV)

A família Crawley e os empregados de Downton Abbey (Foto: Divulgação/ITV)

Ainda que a maior parte do mundo não tenha tido acesso, pelo menos oficial, à quarta temporada de Downton Abbey, nada menos que 10 milhões de espectadores assistiram a estreia do primeiro capítulo do seriado, lançado no Reino Unido em 22 de setembro. Essa informação é do jornal britânico The Times, que, junto com o Telegraph e o Independent, destinou espaços especiais para os fãs da série com críticas, galerias de fotos e comentários em suas edições online.

Downton Abbey, que estreou em 2011, retrata a vida de uma família nobre britânica no início do século XX entre eventos históricos como o naufrágio do Titanic, a Primeira Guerra Mundial e a gripe espanhola. Os nobres em questão são os Crawley, que moram na fictícia cidade de Downton e habitam a enorme mansão chamada Downton Abbey – vale ressaltar que esta é apenas a casa principal, já que eles dispõem ainda de uma moradia de verão e outros chalés.

Lady Mary (Michelle Dockery) e Tom (Allen Leech) e seus respectivos filhos

Lady Mary (Michelle Dockery) e Tom (Allen Leech) e seus respectivos filhos

Os Crawley passam por situações normais, como perdas de entes queridos, casamentos, problemas com dinheiro, etc, e outras situações que podemos considerar exóticas do ponto de vista cultural, a exemplo dos deveres que eles têm para com os títulos e as propriedades e os hábitos de caçar e jogar críquete como diversão. Esses fatores, combinados ao drama romântico comum nas novelas e seriados aos quais estamos acostumados, já são suficientes para explicar o sucesso de Downton Abbey.

No entanto, acredito que o que dá um “a mais” à trama do escritor Julian Fellowes não é exatamente o dia-a-dia da nobreza britânica do início do século XX, tão distante da nossa cultura, mas a ponte muito bem trabalhada entre os lordes e ladies que moram na parte de cima da mansão e os criados, damas de companhia, mordomos, pajens e cozinheiras que, do andar de baixo, fazem a casa funcionar. Os dramas e problemas pessoais dos empregados, com os quais temos mais facilidade em nos identificar, são tão ou mais importantes para a trama que os dos patrões e carregam uma dose de realismo que faria falta se o seriado ficasse restrito aos nobres.

Mr Bates (Brendan Coyle) e Anna Bates (Joanne Frogatt), enfim juntos!

Mr Bates (Brendan Coyle) e Anna (Joanne Frogatt), enfim juntos! Foto: Divulgação/ITV

A saída de Mr Bates da prisão foi tão emocionante quanto o casamento de Lady Mary e Mattew; as farpas da Duquesa Grantham são tão engraçadas quanto às patadas da cozinheira Miss Pattmore e a ambição de Lady Edith em ser jornalista pode ser comparada à de Daisy, que está cogitando administrar a fazenda do sogro. O elenco de peso, encabeçado por Maggie Smith, Hugh Bonneville e Michelle Dockery, eleva o padrão artístico e dá mais credibilidade à série.

Alguns comentaristas criticam a abordagem classe-média de Downton Abbey, argumentando que a aristocracia e a criadagem são retratadas de forma romântica e não muito próximas da realidade. Isso é verdade; o público-alvo da ITV (emissora que produz a série) é de classe-média-alta e influenciou diretamente no formato do programa. Mesmo assim, acredito que isso não comprometa a qualidade Downton Abbey. A linguagem romântica pode diminuir o peso histórico da série, mas por outro lado torna mais fácil a identificação dos telespectadores com os personagens.

Lady Edith (Laura Carmichael) e a viúva Grantham (Maggie Smith). Foto: Divulgação/ITV

Lady Edith (Laura Carmichael) e a viúva Grantham (Maggie Smith). Foto: Divulgação/ITV

Pessoalmente, adoro a série. Gosto da forma com que o humor britânico é inserido no drama dos personagens, como os nobres enxergam o papel da aristocracia perante as mudanças constantes no início do século passado e como a classe trabalhadora vê e reage a essas mesmas mudanças. Os vários ângulos em que um evento é abordado na série é, em minha opinião, o que a torna tão rica. Sinto apenas que o “resto do mundo” não seja contemplado pelos Crawley – talvez seja exigir um pouco demais dos roteiristas.

Por se tratar de uma obra de ficção, acho que a Downton Abbey de Julian Fellowes e da ITV serve como boa forma de vivenciar um pouco a história da nobreza britânica e a série pode ser curtida sem restrições – é só não levar tudo tão a sério.

A quarta temporada do seriado será lançada em janeiro nos Estados Unidos e ainda sem previsão por aqui pelo Brasil, onde é transmitida às quintas-feiras pelo canal pago GNT.

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