Crítica: Da Vinci’s Demons

Depois de Cleópatra, Júlio César e Marco Antônio, do irreverente Henrique VIII e da controversa família Borgia, chegou a vez de um dos maiores gênios da humanidade ter a sua vida, ou melhor, sua juventude, contada nas telas da televisão.  A mente revolucionária de Leonardo Da Vinci é a nova aposta do canal Starz – responsável pela aclamada Spartacus – com a série épica Da Vinci’s Demons. E, a julgar pelos números, o investimento não poderia ter sido melhor.  Batendo a marca de 1,04 milhões de espectadores, o episódio piloto da produção marcou um recorde do canal a cabo, que já tratou de garantir uma segunda temporada para o programa. Ou seja, mais uma obra bem-sucedida para a conta de Da Vinci.

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Tom Riley como o jovem Leonardo Da Vinci

Escrita e dirigida por David S. Goyer (de Batman Begins), a trama traz o ator britânico Tom Riley (Segredos de Estado) como o jovem gênio revolucionário, considerado por muitos – talvez, por todos – como o dono da maior mente já conhecida. Pintor, cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, escultor, arquiteto, botânico, músico, poeta…Não à toa, Da Vinci é referência nessas diversas áreas por invenções sempre tão precisas e à frente de seu tempo. Porém, o reconhecimento da multiplicidade de seus talentos para ciências e artes, além da incontestável criatividade, muitas vezes, tornavam-no um gênio incompreendido e perturbado. E essa parece ser a tônica que a série planeja seguir.

Da Vinci’s Demons nos apresenta a um Leonardo jovem, revolucionário, com uma mente visionária e personalidade forte e irreverente que nem o próprio consegue compreender e sustentar, em alguns momentos. Em termos de roteiro, a produção não chega a trazer grandes surpresas dentro do padrão “série épica + personagens históricos”. Uma conspiração religiosa com o Vaticano no centro das articulações (e um Papa bastante polêmico), nobres italianos passando por cima uns dos outros (de maneiras não muito amigáveis, e muito menos honestas, diga-se de passagem) e o herói brilhante lutando contra seus próprios conflitos psicológicos.

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Tom Riley (Da Vinci) e Gregg Chillin (Zoroaster) em cena de “Da Vinci’s Demons”

Não que Da Vinci’s Demons seja ruim, longe disso. É praticamente impossível que algo relacionado a Da Vinci não seja, no mínimo, interessante. O problema, talvez, seja a tentativa exacerbada de construir a figura do “gênio atormentado”. Em Da Vinci’s Demons, o jovem Leonardo é julgado como herege e tem imposta a função de expor o lado sombrio da Igreja, bem como as tramas ardilosas de uma sociedade elitista. Riley aparece como uma escolha acertada para dar vida a um dos personagens mais célebres de toda a história. De maneira natural, temos um Da Vinci que mescla o sarcasmo à sua genialidade, dotando-o de um carisma incontestável. No entanto, ao mesmo tempo, o roteiro parece bater sempre na questão de Da Vinci ser um contestador nato e inconsequente, por não querer se submeter às regras conservadoras. De alguma forma, em determinados momentos do episódio, essa característica particular dá a impressão de ser um pouco forçada e, até mesmo, cansativa.

No geral, contudo, a proposta de Da Vinci’s Demons é válida e bem representada. O clima de mistério dita o tom do primeiro episódio, com as visões (?) psicodélicas do jovem mestre, que podem ser peças importantes do quebra-cabeças que compõe parte de sua vida e da origem de uma ordem que pretende desvendar os segredos mais obscuros da Igreja Católica. Personagens interessantes e ambíguos, o conturbado cenário político da Itália e, claro, as obras geniais do artista – que aparecem de forma animada, como ilustrações do pensamento de Da Vinci, uma ótima sacada da série, pois nos permite, ao menos por um instante, acompanhar a mente avançada do gênio –  criam uma imagem positiva à produção, estimulando no público o que Leonardo Da Vinci tinha de sobra e era a razão de sua existência: a curiosidade.

Veja  o trailer:

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4 Respostas para “Crítica: Da Vinci’s Demons

    • Já ia te criticar por reparar o cabelo, mas faz todo sentido o que você disse e ri bastante por isso. E sua observação é bem válida, depois de um certo tempo, as séries e filmes, sempre vem com essas “coisas da moda”. Acaba sendo engraçado, mas tendo um bom conteúdo é até irrelevante.

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