Peregrinando pelo País de Gales 2

Carmarthen, País de Gales

Vista de Carmarthen da ponte que liga a estação de trem à estação de ônibus

LONDRES – No quarto dia no País de Gales eu deixei Cardiff já morrendo de saudade do ambiente familiar e aconchegante do hostel (e principalmente do café da manhã) e segui para Carmarthen, que fica a oeste da capital galesa.

(Quer ler – ou reler – a parte 1? Clica aqui!)

As duas horas de trem foram acompanhadas por imagens belíssimas. O oeste do país é repleto de praias, e o ambiente bucólico das cidadezinhas contrasta com a ideia que nós, brasileiros, fazemos da costa. Uma coisa que me chamou a atenção, ainda no trem, foi que, ao olhar para um lado, via fazendas com vacas, carneiros, cavalos e plantações. Do outro lado eram só areia e mar.

Carmarthen é uma cidade minúscula, bem menor que Cardiff, e não tem muito o que fazer. Ainda assim, é o ponto que liga a zona oeste ao restante do país, então quem quer conhecer as praias da região precisa, necessariamente, passar por lá. Da estação de trem fui direto à estação de ônibus (a uma ponte de distância), de onde segui para Llansteffan, onde ficava meu hostel.

Uma dica preciosa para quando você resolver conhecer a zona oeste do País de Gales: alugue um carro. O serviço de transporte de Carmathen é muito limitado e você pode, como eu, perder horas preciosas de turismo por conta disso.

Llansteffan é uma cidade ainda menor que Carmarthen, que pode ser reduzida à praia, que é linda, e o castelo em ruínas, de frente para o mar. Do topo do castelo você enxerga a praia em quase toda sua amplitude e, de brinde, ainda tem as colinas no plano oposto. Depois do passeio você pode comer o tradicional “fish and chips”, feito com os peixes frescos da região, e tomar um sorvete galês (normalmente leva mais leite e por isso é bastante cremoso).

No dia seguinte fui a Tenby, que fica a mais ou menos uma hora de trem de Carmarthen. Tenby é uma cidade de praia, bem colorida, e fica em cima de uma colina de frente para o mar. Essa foi a primeira vez que vi as pessoas curtindo a praia como brasileiros (tirando a parte que todo mundo estava de roupa), talvez pelo dia estar menos frio. Na areia, crianças faziam castelinhos, brincavam com os cachorros, casais de namorados circulavam de mãos dadas e praticamente todo mundo tinha um sorvete em mãos.

O centro de Tenby tem feiras, mercados e vários restaurantes

Centro de Tenby: feiras, mercados e restaurantes

A orla é muito bem explorada e o número de hotéis e pousadas, sempre pequenos porém muito bonitinhos, entrega que a cidade vive de turismo. Pela quantidade de carros parados nas ruas, eu diria que está se saindo bem. Em Tenby você encontra mercados, feiras, e muitas, muitas opções para comer. A maioria dos restaurantes tem vista para o mar e os cardápios são variados, tanto que a vontade é de voltar lá só para aproveitar uma refeição em cada lugar diferente. Meu trem estava marcado para antes do pôr do sol, e aí só me resta ter que ir de novo para consertar esse erro.

Meu último dia de viagem foi em Laugharne – apesar do nome ser enorme, pronuncia-se “Lorne” – conhecida como a casa do poeta galês Dylan Thomas, muito popular no Reino Unido durante o início do século XX. A cidade toda gira em torno dele, e não é para menos: foi ele quem colocou Laugharne no mapa, já que muitos dos seus poemas foram escritos na casa de barco que ele tinha lá.

No dia em que estive lá, um domingo, a comunidade tinha organizado uma feira no castelo – sim, dentro do castelo! – de Laugharne. Ótima opção para experimentar algumas iguarias locais, como o buttery flapjack (aconselho para qualquer pessoa, ainda que não seja fã de doces, experimentar um assim que sai do forno) ou os toffees (tipo de caramelo em blocos, um pouco mais macios que os que a gente conhece).

O castelo de Laugharne é uma fortaleza normanda de frente para a praia. Apesar de estar em ruínas, ainda é bastante imponente e proporciona uma vista de 360º da cidade. Uma vez na praia, você tem duas opções de passeio: subir a colina e parar na casa de barco de Dylan Thomas – vale a pena se você gosta do autor ou de poesia em geral, porque em várias partes do trajeto tem um trecho de algum trabalho dele – ou fazer o passeio de aniversário de Dylan Thomas.

Vista do passeio de aniversário de Dylan Thomas

Vista da última parada do passeio de aniversário de Dylan Thomas

Esse último foi o meu preferido, porque proporciona uma visão mais romântica de Laugharne. É como se você estivesse espionando – e não admirando – o castelo, como se você conseguisse enxergar os dias de glória do porto já desativado, e como se o sol estivesse te seduzindo por trás dos galhos secos das árvores. Foi um dos finais de tarde mais lindos que eu já vi.

A volta pra casa foi cansativa, mas o País de Gales me presenteou com mais imagens lindas durante o trajeto até Cardiff, e de Cardiff até Londres, onde cheguei ainda com um resquício do sol galês. O frio, a mala e ter que andar até em casa foram suficientes para me trazerem logo à sensação de rotina. Mas a saudade também foi rápida, quando, ao calçar meu tênis ainda cheio de areia no dia seguinte, senti uma falta danada da praia.

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