Recanto escondido: capela de N. Sra. da Cabeça

capela

RIO DE JANEIRO – Depois do portão, basta seguir um caminho de paralelepípedos, morro acima, em meio a jaqueiras, mangueiras e árvores de todos os tipos. A vegetação é densa, com exemplares centenários, e à medida que abafa o som dos carros nas ruas ao redor, contribui enormemente para que os visitantes da capela de Nossa Senhora da Cabeça se sintam em pleno século XVII.

A pequena construção está no final do caminho, no centro de um adro. A sensação de vê-la de repente, depois de uma caminhada solitária, é impressionante. À sua direita está o morro do Corcovado, e ao fundo, à esquerda e em qualquer outra parte, só há vegetação – com uma pequena brecha que permite avistar a Lagoa Rodrigo de Freitas.

A capelinha está num terreno na Rua Faro, cedido pela União à Casa Maternal Mello Mattos, no bairro Jardim Botânico. Aparentemente, ela é mais uma dessas preciosidades escondidas, em plena Zona Sul do Rio de Janeiro. Mas caso você chegue lá e dê de cara com o portão fechado, é só bater: ela está aberta à visitação.

História da capelinha

Na falta de documentos precisos, não se sabe ao certo a data de fundação da capela, nem do engenho dentro do qual ela foi construída durante o período colonial. A informação mais difundida é que o Engenho d’El Rei teria sido instalado no final do século XVI, e depois reformado nas primeiras décadas do século XVII, quando a pequena capela então teria sido construída.

O engenho d’El Rei teve importante atuação na economia da cidade, mas acabou sendo desapropriado pelo príncipe-regente no início do século XIX, para ceder espaço para a Fábrica de Pólvora da Coroa (hoje é possível ver as ruínas da fábrica dentro do Jardim Botânico).

Ao longo das décadas seguintes o engenho foi então sendo desmembrado em propriedades menores. Uma destas, que continha a capela de Nossa Senhora da Cabeça, acabou sendo adquirida pela União já no século XX, para que o juiz José Cândido Albuquerque de Mello Mattos instalasse ali um abrigo para órfãos e crianças abandonadas, onde até hoje funciona a Casa Maternal Mello Mattos.

Pintura de Nicolau Antonio Facchinetti, de 1879, com a capelinha e a Lagoa Rodrigo de Freitas  ao fundo. 1879. Acervo Museu Imperial, Petrópolis, RJ. Disponível em: http://historia.jbrj.gov.br/fotos/imagens.htm

Pintura de Nicolau Antonio Facchinetti, de 1879, com a capelinha e a Lagoa Rodrigo de Freitas ao fundo. 1879. Acervo Museu Imperial, Petrópolis, RJ. Disponível em: http://historia.jbrj.gov.br/fotos/imagens.htm

Arquitetura 

A capelinha é extremamente simples. A fachada é precedida por alpendre bem pequeno e gracioso, e o interior tem apenas um cômodo, com piso todo em lajotas de barro. Ela é um autêntico exemplar de arquitetura rural do período colonial, mas curiosamente não segue nenhum estilo específico. Ainda que tenha sofrido algumas modificações, como a adição das pilastras no alpendre e, provavelmente, o altar, sua caracterização é praticamente perfeita.

Ainda que seja de fácil e livre acesso, por estar dentro da propriedade onde se situa a Casa Maternal Mello Mattos, a capela é pouco conhecida e visitada pela população carioca. Este fato talvez tenha contribuído parcialmente para sua preservação, mas também fez com que autoridades demorassem a promover merecidos restauros em sua estrutura.

Hoje, oito anos após o último restauro, ela se encontra em estado relativamente bom. No entanto, merece, o quanto antes, um estudo mais aprofundado para desvendar as lacunas em sua história e para ajudar a divulgar tão precioso patrimônio.

Vista de dentro da capela

Vista de dentro da capela

O altar

O altar

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