Fragmentos do tempo: o encantamento da fotografia

Janela 1

27 de Fevereiro de 2013

Enquanto começava a trabalhar em meu primeiro texto pensava na dificuldade de escrever um about divertido e sucinto que  abarcasse minhas múltiplas identidades de maneira que ficasse claro quem sou e como me aproximo do mundo e dos meus objetos. Ainda não resolvi este problema, mas, escolhi inaugurar minha participação neste espaço com uma história, a minha própria, um about estendido talvez, e um texto sobre como me aproximei da fotografia. Quem sabe assim eu venha a incentivar outros a encontrarem seus próprios caminhos dentro das artes – que como o historiador da arte Gombrich coloca, é algo plural, que não se manifesta de maneira singular e maiúscula; ele acredita que essa Arte com A maiúsculo e no singular não existe de fato, apenas se manifesta essa Arte para qualificar ou desqualificar algo como Arte ou como não sendo Arte.

Tudo começou no Colégio Pedro II, onde estudei desenho geométrico, música e História da Arte. Em desenho geométrico eu tirei algumas das minhas piores notas junto com as desastrosas notas de Matemática. Em História da Arte eu entendi bem a teoria e sempre fiz péssimos trabalhos práticos. Sou uma saxofonista medíocre. Deste modo, acreditei durante um longo período que o campo das artes não fazia parte das minhas possibilidades.

Quando terminei a graduação de História decidi tentar de novo. Encontrei minha antiga Canon Æ-1, presente do meu pai, que me ensinou a tirar minhas primeiras fotos no foco quando eu tinha meus 14, 15 anos. Comprei filmes e comecei a sair para fotografar. Andava com a maquina dentro da bolsa, fotografava tudo – o que acabou gerando um acervo enorme de fotos inúteis e horrorosas. Em agosto de 2012 assisti minha primeira aula de fotografia. Meu professor sorridente sugeriu que aceitássemos experienciar um tempo diverso, um tempo mais lento, menos acelerado. Ele acreditava – e convenceu-me – de que a vivência do tempo da fotografia pode requerer sair minimamente do atropelamento do tempo da nossa modernidade. Necessário é observar. Ver o mundo requer tempo e fotografar é ver e experimentar o mundo de maneira bastante peculiar.

As aulas de fotografia me fizeram voltar a acreditar que eu podia fazer coisas belas, ou acessar beleza através do meu olhar para com o mundo. Longe de mim considerar-me uma artista. Porém, comecei a sentir apreço forte pelo meu olhar ainda indefinido, ainda desregrado, um olhar ainda destreinado que não sabe bem o que escolheu privilegiar em suas lentes. Eu me encantei. E é um encanto que se refaz todos os dias quando olho através da câmera.

janela 2

13 de Março de 2013

Compartilho aqui três das fotos recentes que capturei da vista da minha janela, estas não foram feitas em película, uso agora – além da minha canon antiga, uma Nikon D7000. Tenho me dedicado a tirar fotos todos os dias em diversos horários da mesma janela e os resultados tem sido surpreendentes, luzes, nuvens e cores diferentes.

Convido-os a escolher uma maneira criativa de experimentar o mundo, talvez, de alguma maneira os encante como me encantou.

Para Saber Mais:

E. H. Gombrich, História da Arte

Susan Sontag, Sobre Fotografia

Lorenzo Mami; Lilia Schwarcz (org), 8 X Fotografia

janela 3

03 de Março de 2013

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