Carne no Reino Unido: um escândalo do bem?

LONDRES – Com tantos problemas envolvendo comida no Reino Unido – em fevereiro, milhares de produtos foram retirados das prateleiras dos maiores supermercados do país por conta de carne de cavalo contaminada e, em março, foram encontrados vestígios de carne de porco em salsichas Halal, que em teoria não podem ter carne suína – consumidores estão finalmente tomando mais cuidado com o que comem.

De acordo com um estudo publicado pelo Consumer Intelligence Research Company (Companhia de Pesquisa de Inteligência do Consumidor, em tradução livre), cerca de 65% dos consumidores do Reino Unido confiam menos na informação nutricional dos produtos e 60% estão comprando itens frescos em açougues e feiras locais.

Essa mudança alegra nutricionistas e profissionais da saúde, que acreditam que os escândalos podem ter servido como um “alerta” para qualidade de vida. Segundo a terapeuta nutricional Helen Barklam, da British Association for Applied Nutrition and Nutritional Therapy (Associação Britânica de Nutrição Aplicada e Terapia Nutricional), comprar local já é um bom começo para comer de forma mais saudável.

“Comprar local significa que você ajuda sua economia local, você reduz sua ‘pegada de carbono’, você compra e come comida fresca da estação, ajuda a fortalecer a cultura e identidade de sua comunidade e, mais importante, você pode ter certeza de onde a comida vem”.

Ben Allwood, que trabalha em um açougue em Borough Market, um dos mercados abertos mais tradicionais de Londres, concorda. Para ele, o aumento nas vendas nos últimos meses reflete a mudança de mentalidade e hábito dos britânicos ao comprar comida.

“Eu acho que os escândalos levaram a uma descrença em relação aos supermercados. As pessoas começaram a se preocupar com o que elas comem e resolveram voltar a comprar em lugares que elas confiam”, disse.

“Nós damos todas as informações possíveis sobre nossos produtos; desde como são as fazendas até o que as vacas comem. Você não tem como saber disso com as marcas grandes”.

Mas comprar em feiras não é tudo; Helen acredita que, de todas as opções, a melhor é a comida orgânica. “O processo de cultivação produz frutas e verduras com mais qualidade, porque evita o uso de pesticidas e fertilizantes. Com os animais não há o uso de drogas e alteração na alimentação. É definitivamente a opção mais saudável”.

Segundo ela, as frutas e verduras com maior índice de contaminação por pesticidas são maçãs, morangos, pêssego, espinafre, uva, batata, mirtilo e alface.

Ainda que saudável, a comida orgânica pode pesar no bolso. Segundo Organic Consumers Association (Associação de Consumidores de Orgânicos), orgânicos podem ser 20% mais caros. E dinheiro, segundo a consumidora Debra Todd, é possivelmente a maior razão pela qual as pessoas são levadas a comprar em grandes supermercados.

“Pode ser difícil para famílias mais humildes comerem bem. É mais caro comprar em mercados locais, especialmente se for orgânico, e normalmente leva mais tempo. Mas eu acho que vale a pena. Se as pessoas são idiotas o suficiente para só comprarem comida congelada então elas estão tendo o que pagaram.”

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